Dez artistas da periferia, R$ 900 cada e uma lição que serve pro Agreste inteiro
O projeto Monumentos Virtuais selecionou obras de artistas de territórios periféricos de Pernambuco. O prazo fechou, mas o que ele ensina sobre quem chega à cultura continua de pé.
Enquanto os grandes editais do Funcultura movimentam milhões, é nas convocatórias pequenas que mora uma das pautas mais importantes da cultura pernambucana: quem, de fato, consegue chegar ao dinheiro público. O projeto Monumentos Virtuais é um desses casos que vale parar pra olhar. Ele abriu convocatória para selecionar dez obras inéditas de videoperformance feitas por artistas e agentes culturais de territórios periféricos de Pernambuco.
Repare na engenharia do projeto: ele não pega o recurso do Funcultura e o concentra em um só nome consagrado. Ele pulveriza em dez bolsas para quem normalmente fica do lado de fora do edital. E vai além do dinheiro: cinco dos selecionados ganham dois anos de hospedagem e domínio para montar o próprio site. Ou seja, além da bolsa, o artista sai com presença digital própria, que é o que sustenta uma carreira depois que o edital acaba.
A parte que interessa a quem é daqui
Garanhuns e o Agreste são, na lógica do estado, território periférico em relação à Região Metropolitana do Recife, onde o circuito cultural se concentra. Quando um projeto reserva vagas e bolsas exatamente para quem está fora do eixo, ele está falando da nossa gente: o artista visual, o videomaker, o performer e o coletivo que produzem longe da capital e raramente aparecem nos editais maiores.
A convocatória do Monumentos Virtuais já encerrou. Mas o desenho dela é um mapa do que funciona: edital com recorte territorial, bolsa que cabe na realidade, formulário simples e divulgação que chega na periferia. Quando o artista daqui souber procurar esse tipo de oportunidade, e quando esse tipo de oportunidade souber chegar até ele, a conta fecha.
O papel que o Receptor escolhe
A regra de ouro deste portal é que nenhuma cultura é tratada como periférica de verdade. O videomaker da periferia de Garanhuns está no mesmo patamar do artista consagrado da capital. Cobrir convocatórias como essa, mesmo depois do prazo, é treinar o olhar da nossa audiência para reconhecer oportunidade antes que ela passe. Da próxima vez, a gente avisa com tempo.
Portal Cultura PE e Notícia Preta. Texto autoral do Receptor a partir do cruzamento dessas fontes.